Uma escultura monumental de uma tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) está instalada na Avenida Beira-Mar, em Pontal do Sul, Pontal do Paraná. A obra foi inaugurada no Dia Mundial da Tartaruga, em 23 de maio de 2023, como uma homenagem à biodiversidade marinha e à importância da conservação das tartarugas marinhas no litoral do Paraná.
Foto: Prefeitura de Pontal do Paraná / Divulgação.
Fonte: Folha do Litoral News, 23 de maio de 2023.
A Tartaruga-Gigante de Pontal do Sul
Mais do que um ponto turístico, a escultura dá visibilidade pública a um animal que possui uma ligação biológica real com as praias de Pontal do Paraná.
Ela representa a tartaruga-de-couro, a maior espécie viva de tartaruga marinha do mundo, e lembra os visitantes da delicada relação entre os ecossistemas costeiros e as atividades humanas.
Com aproximadamente 10,2 metros de comprimento e 6,5 metros de largura, a escultura foi criada pelo artista brasileiro Guilherme Ferreira, conhecido como Índio Artesão.
Encomendada pela Prefeitura de Pontal do Paraná, a obra representa uma tartaruga-de-couro em processo de desova e conecta arte pública, turismo, identidade local e conscientização ambiental.
O que a Escultura Representa
A tartaruga é representada em posição de desova, transformando um acontecimento biológico em um símbolo visível do ambiente costeiro.
A desova é um dos momentos mais vulneráveis do ciclo de vida de uma tartaruga marinha. A fêmea precisa sair do oceano, atravessar a praia e encontrar areia adequada para depositar seus ovos antes de retornar ao mar.
Ao colocar essa cena em um espaço público, a escultura cria uma oportunidade para a educação ambiental e convida os visitantes a compreender que as praias não são apenas espaços de lazer, mas também habitats de vida silvestre.
Tartaruga-de-Couro: Perfil da Espécie
Conhecida cientificamente como Dermochelys coriacea, a tartaruga-de-couro é a maior espécie viva de tartaruga marinha.
Diferentemente das demais tartarugas marinhas, seu casco não é coberto por placas rígidas sobrepostas. Em vez disso, apresenta uma cobertura flexível, semelhante a couro, com cristas longitudinais características.
As tartarugas-de-couro passam grande parte da vida em águas oceânicas e se alimentam principalmente de organismos gelatinosos, como águas-vivas. São animais altamente migratórios, capazes de percorrer milhares de quilômetros entre áreas de alimentação e reprodução.
No Brasil, a reprodução regular da tartaruga-de-couro concentra-se principalmente no litoral norte do Espírito Santo. Por isso, registros de desova no litoral do Paraná são incomuns e biologicamente significativos.
Desovas de Tartaruga-de-Couro em Pontal do Paraná
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Pontal do Paraná, eventos de desova de tartaruga-de-couro foram registrados na região em 2007, 2010, 2014 e 2020, com Pontal do Sul concentrando o maior número de ninhos registrados.
Durante uma temporada reprodutiva, uma mesma fêmea pode retornar várias vezes à praia para realizar novas desovas. Um ninho pode conter aproximadamente 100 ovos.
Entre dezembro de 2020 e janeiro de 2021, pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná — LEC/UFPR acompanharam atividades de desova de tartaruga-de-couro em Pontal do Sul.
Os pesquisadores isolaram a área de desova, coletaram informações biológicas e acompanharam o animal, contribuindo com dados importantes para a conservação desse raro evento reprodutivo no litoral do Paraná.
Espécies de Tartarugas Marinhas no Brasil
Cinco das sete espécies de tartarugas marinhas existentes no mundo ocorrem em águas brasileiras:
- Tartaruga-verde (Chelonia mydas);
- Tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata);
- Tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea);
- Tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta);
- Tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea).
A ocorrência e a abundância dessas espécies variam bastante ao longo do litoral brasileiro. O Paraná possui importância especial como área de monitoramento da fauna marinha, e a tartaruga-verde é frequentemente registrada na região.
Eventos reprodutivos envolvendo outras espécies são menos comuns e, por isso, despertam interesse científico significativo.
Uma Espécie Altamente Migratória
As tartarugas-de-couro estão entre os répteis marinhos mais migratórios do planeta. Os indivíduos podem percorrer milhares de quilômetros por águas tropicais, subtropicais e temperadas ao longo das diferentes etapas de seu ciclo de vida.
Essa mobilidade demonstra por que a conservação das tartarugas marinhas não pode se limitar a uma única praia ou município. A proteção desses animais exige cooperação entre áreas de alimentação, rotas migratórias e praias de desova.
Principais Ameaças às Tartarugas Marinhas
As tartarugas marinhas enfrentam diversas ameaças relacionadas às atividades humanas ao longo de seu ciclo de vida.
- Captura acidental e emalhe em equipamentos de pesca;
- Resíduos marinhos e poluição por plástico;
- Colisões com embarcações e outras interações com barcos;
- Alteração e degradação de habitats costeiros;
- Iluminação artificial próxima às praias de desova;
- Perturbação de fêmeas em desova e de filhotes;
- Alterações relacionadas ao clima que afetam praias e ecossistemas marinhos.
Como os Visitantes Podem Ajudar
Ações simples podem reduzir a perturbação quando tartarugas ou ninhos estiverem presentes em uma praia.
- Manter distância respeitosa das tartarugas e das áreas de desova protegidas;
- Nunca tocar, conter ou interferir com uma tartaruga durante a desova;
- Evitar flashes, luzes fortes e iluminação desnecessária durante atividades de desova noturna;
- Recolher resíduos e nunca deixar plásticos, linhas de pesca ou outros materiais na praia;
- Manter animais domésticos sob controle próximos à fauna silvestre e às áreas de desova;
- Comunicar animais marinhos feridos, encalhados ou mortos às autoridades ou equipes responsáveis pelo monitoramento ambiental.
Ciência e Conservação no Litoral do Paraná
A pesquisa e a conservação das tartarugas marinhas no Brasil envolvem o Centro TAMAR/ICMBio, instituições de pesquisa, universidades, órgãos ambientais e organizações de conservação.
No litoral do Paraná, o Laboratório de Ecologia e Conservação — LEC/UFPR desempenha um papel importante por meio do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos — PMP-BS.
Desde 2015, a equipe da UFPR monitora a fauna marinha ao longo do litoral paranaense, registrando animais encalhados, coletando dados biológicos e ecológicos, realizando resgates quando necessário e contribuindo para pesquisas sobre biodiversidade e saúde marinha.
Essa presença científica oferece a Pontal do Sul uma conexão importante entre educação ambiental, conscientização pública e pesquisa marinha de longo prazo.
Praça da Tartaruga
A escultura gigante foi inaugurada em 23 de maio de 2023, no Dia Mundial da Tartaruga.
O espaço público ao redor foi posteriormente qualificado com pavimentação, recursos de acessibilidade, iluminação decorativa, bancos, paisagismo e elementos educativos, passando a ser conhecido como Praça da Tartaruga.
Atualmente, a praça é um ponto de referência reconhecido em Pontal do Sul e reúne turismo, espaço público, identidade local e interpretação ambiental.
Uma homenagem que se transforma em compromisso: proteger a praia também significa proteger os animais que dependem dela. A escultura torna a mensagem visível; a conservação depende do que fazemos depois.
Sobre o Projeto Tartaruga de Pontal
tartarugadepontal.com.br é uma iniciativa local independente voltada à identidade e ao cotidiano de Pontal do Sul.
O projeto conecta informações locais, turismo, cultura, conscientização ambiental, iniciativas comunitárias e o patrimônio natural da região.
A tartaruga-gigante tornou-se um dos símbolos utilizados para incentivar moradores e visitantes a observar com mais atenção a relação entre Pontal do Sul, o oceano e a fauna do litoral do Paraná.
Fontes e Créditos
Escultura da Tartaruga-Gigante: Guilherme Ferreira — Índio Artesão.
Foto: Prefeitura de Pontal do Paraná / Divulgação.
Informações compiladas a partir da Prefeitura de Pontal do Paraná, Folha do Litoral News, Universidade Federal do Paraná, LEC/UFPR e referências brasileiras sobre conservação de tartarugas marinhas.
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