Estudo Científico — Mel de Abelhas Nativas Brasileiras da Ilha do Mel

Ilha do Mel Nativo

Mel de Abelhas Nativas Sem Ferrão vs. Mel Convencional — Uma Comparação Baseada na Ciência

O Brasil possui uma das maiores diversidades do mundo de abelhas nativas sem ferrão (Meliponini). Uma revisão taxonômica recente reconheceu 259 espécies válidas no Brasil, além de espécies que ainda estão em processo de descrição. Essas abelhas participam da polinização de plantas nativas e cultivadas e constituem uma parte importante da biodiversidade brasileira.

O mel produzido pelas abelhas sem ferrão apresenta diferenças em relação ao mel produzido por Apis mellifera em diversas características físico-químicas. Estudos científicos relatam diferenças em umidade, acidez, açúcares, compostos fenólicos, atividade antioxidante, perfil sensorial e comportamento durante o armazenamento. Entretanto, essas características podem variar consideravelmente conforme a espécie de abelha, origem botânica, região geográfica, estação do ano e processamento.

Abelha-do-mel — Apis mellifera

Abelha Apis melliferaApis mellifera coletando néctar em flores

Abelha Nativa Brasileira Sem Ferrão — Mandaçaia (Melipona quadrifasciata)

Mandaçaia Melipona quadrifasciata, abelha nativa brasileira sem ferrãoAbelhas Mandaçaia em estrutura de colmeia de madeira

Abelha nativa sem ferrão Mandaçaia (Melipona quadrifasciata), espécie brasileira pertencente à tribo Meliponini, reconhecida por seu padrão corporal característico. Referência da foto: mel.com.br

Mandaçaia (Melipona quadrifasciata) observada em estrutura de colmeia de madeira. Referência da foto: mandacaiasocial.com.br

Apis mellifera em uma flor. Referência: Wikipedia — Western honey bee 

Apis mellifera coletando néctar em flores. Referência: Wikipedia — Apis mellifera 

Parâmetro científicoMel de Apis melliferaMel de abelhas sem ferrão
Meliponini
Origem das abelhas no BrasilApis mellifera não é nativa do Brasil. Foi introduzida no país, e as populações brasileiras atuais são predominantemente derivadas de abelhas africanizadas.Os Meliponini incluem um grupo altamente diversificado de abelhas nativas do Brasil e de outras regiões tropicais e subtropicais. 
Características de produçãoProdução comercial e em grande escala amplamente estabelecida.Geralmente produzido em menores quantidades, com produção fortemente dependente da espécie e do tamanho da colônia. 
UmidadeGeralmente mais baixa.Geralmente mais elevada. Revisões e estudos comparativos identificam consistentemente a umidade como uma das principais diferenças físico-químicas entre os dois grupos de mel. 
AcidezÁcido, com valores que variam de acordo com a origem floral e geográfica.Tipicamente apresenta maior acidez livre e, frequentemente, pH mais baixo, embora os valores variem significativamente entre espécies e origens. 
Perfil de açúcaresFrutose e glicose são os açúcares predominantes.A composição dos açúcares varia conforme a espécie e a fonte floral. Revisões geralmente relatam menor concentração total de açúcares em comparação ao mel de Apis mellifera
Atividade enzimáticaParâmetros enzimáticos, como a atividade de diastase, são tradicionalmente utilizados na avaliação da qualidade do mel convencional.A atividade enzimática varia amplamente. Revisões científicas indicam que alguns parâmetros convencionais do mel, incluindo a atividade de diastase, podem apresentar valores menores no mel de abelhas sem ferrão. 
Compostos fenólicosContém compostos fenólicos e outros componentes antioxidantes, com grande variação conforme a origem botânica.Pesquisas comparativas e meta-análises indicam, em média, maior conteúdo fenólico no mel de abelhas sem ferrão, embora exista ampla variação entre amostras. 
Atividade antioxidanteA atividade antioxidante varia conforme a fonte floral, região geográfica e composição.Frequentemente elevada. Meta-análises encontraram, em média, maior atividade antioxidante no mel de abelhas sem ferrão, mas essa característica não é universal em todas as amostras. 
Atividade antimicrobianaAtividade antimicrobiana é documentada em diferentes tipos de mel.Estudos laboratoriais relataram atividade antimicrobiana contra diferentes microrganismos. A intensidade varia significativamente conforme a espécie, origem botânica, concentração e metodologia experimental. 
Comportamento durante o armazenamentoA menor umidade geralmente proporciona maior estabilidade quando o produto é adequadamente processado e armazenado.A maior umidade aumenta a suscetibilidade à fermentação. Por isso, condições adequadas de coleta, processamento e armazenamento são especialmente importantes. 
Perfil sensorialAltamente variável conforme a origem botânica e geográfica.Frequentemente mais fluido e ácido, podendo apresentar notas florais, frutadas, cítricas ou fermentadas, dependendo da espécie e da origem. 
Papel ecológicoImportante polinizadora de numerosas culturas agrícolas e outras plantas com flores.As abelhas nativas sem ferrão são importantes polinizadoras da vegetação nativa e de diversas plantas cultivadas, contribuindo para a biodiversidade e o funcionamento dos ecossistemas. 

Nota científica: o mel de abelhas sem ferrão não constitui um produto único e padronizado. Sua composição pode variar significativamente conforme a espécie de abelha, recursos florais, origem geográfica, estação do ano, clima, coleta, processamento e armazenamento. Por isso, valores numéricos obtidos em um estudo específico não devem ser generalizados para todos os méis de Meliponini.

O que as pesquisas científicas indicam

  • O mel de abelhas sem ferrão apresenta, de modo geral, maior umidade e maior acidez livre do que o mel de Apis mellifera.
  • Uma revisão sistemática e meta-análise encontrou maior conteúdo de compostos fenólicos e maior atividade antioxidante, em média, no mel de abelhas sem ferrão.
  • Estudos laboratoriais identificaram atividades antioxidante, antimicrobiana e anti-inflamatória em diferentes méis de abelhas sem ferrão.
  • Essas atividades biológicas dependem fortemente da espécie de abelha, origem floral, região geográfica e processamento.
  • As pesquisas sobre possíveis aplicações relacionadas à saúde continuam em desenvolvimento. Resultados obtidos em laboratório ou em estudos com animais não devem ser interpretados como comprovação de eficácia terapêutica em seres humanos.

Referências científicas

  • Ávila, S., Beux, M. R., Ribani, R. H. & Zambiazi, R. C. (2018). Stingless bee honey: Quality parameters, bioactive compounds, health-promotion properties and modification detection strategies. Trends in Food Science & Technology, 81, 37–50. DOI 
  • Biluca, F. C., Braghini, F., Gonzaga, L. V., Costa, A. C. O. & Fett, R. (2016). Physicochemical profiles, minerals and bioactive compounds of stingless bee honey (Meliponinae). Journal of Food Composition and Analysis, 50, 61–69. DOI 
  • Biluca, F. C. et al. (2017). Phenolic compounds, antioxidant capacity and bioaccessibility of minerals of stingless bee honey (Meliponinae). Journal of Food Composition and Analysis, 63, 89–97. DOI 
  • Biluca, F. C. et al. (2020). Investigation of phenolic compounds, antioxidant and anti-inflammatory activities in stingless bee honey (Meliponinae). Food Research International, 129, 108756. DOI 
  • Pimentel, T. C. et al. (2022). Stingless bee honey: An overview of health benefits and main market challenges. Journal of Food Biochemistry, 46(3), e13883. DOI 
  • Vit, P.; Pedro, S. R. M.; Roubik, D. W. (eds.) (2013). Pot-Honey: A Legacy of Stingless Bees. Springer. DOI 
  • Nogueira, D. S. (2023). Overview of Stingless Bees in Brazil (Hymenoptera: Apidae: Meliponini). EntomoBrasilis, 16, e1041. DOI 
  • Embrapa — Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária 
  • Universidade Federal do Paraná — UFPR 
  • Universidade de São Paulo — USP 

Mais do que um alimento singular, o mel das abelhas nativas sem ferrão representa uma conexão direta entre polinizadores, vegetação nativa, biodiversidade e pessoas. 
Ilha do Mel Nativo — Mel de Abelhas Nativas Brasileiras Sem Ferrão · Raro. Nativo. Enraizado na Mata Atlântica.

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